sétimo elemento


Já foi, mas vale a pena lembrar.

1º Fórum Internacional Senac de Cinema.

Meu querido mestre Joel Yamaji, junto com o Senac promoveram nos dias 10 e 11 de novembro de 2005, o 1º Fórum Internacional Senac de Cinema, onde especialistas do Brasil e da Argentina fazem um balanço da produção nacional contemporânea e analisam seu contexto no mercado latino-americano. O evento contaou com as presenças dos argentinos Carlos Sorin, diretor de O Cachorro e Histórias Mínimas, e David Oubinã, crítico e docente da Universidade de cinema de Buenos Aires. Diretores brasileiros, como Walter Carvalho (Cazuza), Carlos Reichenbach (Dois Córregos, Garotas do ABC), Eduardo Coutinho (Edifício Master, Cabra marcado para morrer, Boca do Lixo, Santo forte) e o maior produtor brasileiro Luiz Carlos Barreto (O Quatrilho entre inúmero filme), assim como representantes da distribuidora Warner Bros. do Brasil, do Circuito Espaço de Cinema e da rede Cinemark, participam de palestras e mesas-redondas sobre criação e mercado.

Site do evento com mais informações www.sp.senac.br/forumdecinema.

Ser alguém quiser informações sobre o que foi dito, tenho bastante material.

 



Escrito por F. Neves às 18h17
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Da "Estética da Fome" de Glauber Rocha a "Cosmética da Fome" de Ivana Bentes

A pouco tempo, pesquisando sobre cinema nacional contemporâneo, conheci o trabalho e as idéias de uma grande pensadora do cinema nacional, Ivana Bentes pesquisadora de cinema e novas tecnologias da imagem, professora da UFRJ, autora de "Glauber Rocha: cartas ao mundo. (Cia. das Letras)", também é colaboradora do Jornal d Brasil onde ela expõe algumas de suas idéias, que quero aqui divulgar.

No site abaixo listado, o Jornal do Brasil faz uma especial de texto sobre Glauber:

http://jbonline.terra.com.br/destaques/glauber/

Dentro deste mesmo site, você encontra alguns de seus textos.

Destaque para os textos:

"Cosmética da fome" marca cinema do país – Ivana Bentes

http://jbonline.terra.com.br/destaques/glauber/glaub_arquivo4.html

Condenados em nome de Glauber? – Mariza Leão Produtora responde às críticas de Ivana Bentes, no Caderno B, aos filmes ‘Central do Brasil’ e ‘Guerra de Canudos’

http://jbonline.terra.com.br/destaques/glauber/glaub_arquivo5.html

"Cinema empresarial chapa-branca" - Ivana Bentes responde a Mariza Leão dizendo que produtora defende ‘nacionalismo engessado’ e sem debate estético

http://jbonline.terra.com.br/destaques/glauber/glaub_arquivo6.html

ps:. Depois de ler esta série de artigos, se possível compartilhem de seus comentários neste Blog.

Atenciosamente
Felipe Neves

 

 



Escrito por F. Neves às 16h38
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Reativando o "Blog" com uma nova visão, nova proposta, mas pelo mesmo motivo. Uma vontade incontrolável de escrever, pensar, refletir viver cinema.

Mais uma vez vou tentar utilizar desta ferramenta ou "meio", o blog para criar um tipo de fórum de discussão sobre cinema, estéticas linguagem, e até mesmo mercado.

Dicas, sugestões e críticas são bem vindas.



Escrito por F. Neves às 15h00
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Se vôce gosta de Dostoievisk cuidado! Você pode se decepcionar.

Antes de assistir ao filme, escrevi para a rádio (da faculdade) uma notinha
dizendo que estreiava no cinema, Nina, um filme baseado em umas das
principais obras do Dostoievisk Crime e Castigo. Lembro de ter comentado que
achava ousado para o primeiro longa do Diretor uma adaptação desta obra, mas
com diz Roidan "Quem não ousar não saberá", mas agora, depois de ter
assistido ao filme tenho a mesma impressão.

O que é o cinema afinal?
Uma forma de contar uma história!? A obra completa?!
Se optarem pela primeira opção Nina é um ótimo filme, super bem feito,
gostei da fotografia e da direção de arte.
Se o filme fosse feito com qualquer outra história, acredito que alcançaria
maiores resultados.

Para quem fazemos filmes?
Afinal de contas não fazemos só para nós.
Para quem gosta de Dostoiévski, não encontrará nenhuma novidade, pelo
contrário. Sei que a linguagem cinematográfica perde para a literária, mas
quanto?
A personagem Nina não é nenhum Raskolnikov, seus atos não são pensados nem
planejados. Não vejo o livro como maniqueista, ao contrário do filme.

Será que a obra tem que ser analisada no contexto do autor, ou não?

Os mangás usados no filme, justificados pelo fato de a menina ser uma
desenhista são de bom gosto, mas por que estão lá?
Ultimanente é uma tendência do cinema ocidental, mas será que é nescessário?
Quando assisti à Kill Bill, aceitei bem o fato dos mangás fazerem parte da
infância do Tarantino, bem como os filmes do Bruce Lee.
Será que o diretor também teve uma infância regada a gibis ou "Dragon Ball
Z". Contudo acredito que ele não foi feliz na escolha do roteiro, mas que
podemos esperar por futuras boas surpresas.

Felipe Neves



Escrito por F. Neves às 11h48
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formato do blog

Vejo no formato do blog, uma descontinuidade ou uma deslinearidade.

Então usarei isto como padrão para a publicação do conteúdo, que não seguirá necessariamente uma progreção gradual.

Temas que já tenham sido publicados serão citado com a data da publicação.



Escrito por F. Neves às 13h49
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Cama de Gato: A laranja mecânica Brasileira por Gabriel Winckler


DivulgaçãoAviso: Eu recomendo o filme, é muito bem elaborado. Porém, é muito forte, com cenas explicitas de sexo, drogas e violência.

Cama de Gato (Alexandre Stockler) é um filme brasileiro que vem ganhando grande repercussão no exterior e foi exibido na 26a Mostra BR de Cinema, ganhando o prêmio de escolha do Público de melhor Longa Brasileiro. Trata-se de um filme muito especial em três aspectos: a técnica, o conteúdo e sua filosofia ou proposta de produção.

Essa filosofia é muito curiosa. É o primeiro filme com uma proposta chamada de “Manifesto TRAUMA99”. Isso é: Tentativa de Realizar Algo Urgente e Minimamente Audacioso. Em suma, é uma série de preceitos acerca da execução de filmes que ironiza o movimento Dogma95. Isso porque fazer um filme já é um grande desafio, principalmente no Brasil. Nas palavras do “Pressuposto” TRAUMA:

 “Estamos mais preocupados em fazer filmes do que em discutir as possíveis razões das insuperáveis dificuldades de fazê-los, especialmente no Brasil.

O comércio não é o que justifica a realização de um filme, mas sim o seu conteúdo”.

E realmente esse filme foi um grande desafio. Tendo 93 minutos, custou R$13.096! E não para por aí. Os atores foram recrutados pela internet, bem como a trilha sonora que recebeu 800 contribuições de internautas.

Tecnicamente, o filme apresenta alguns recursos criativos muito interessantes, como a exposição dos diálogos e as citações a grandes autores. E o trabalho de câmera é competente, com tomadas cruzadas dentro do carro em movimento e cruzamento de projeção em ambientes fechados. Mas é uma produção de baixo custo. Entre os “defeitos” está a diferença de textura, ora 16mm ora DV e o som que é ruidoso e inconstante.

Uma curiosidade é que parte do filme, na verdade um complemento, está na internet no site do filme. O único porém é que o tamanho do arquivo dificulta a visualização.

Já o conteúdo é um capítulo à parte. O filme trata de três adolescentes de classe média e seu comportamento, que a princípio é igual ao de todos os adolescentes, vai sendo levado às últimas conseqüências, até extremos insanos. É um filme extremamente denso e explícito, tanto em sexo como em violência. Mostra como vivemos em um universo de Ultra-Violência, ao estilo de Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, Stanley Kubrick). Se você não viu “Cama de Gato”, prepare-se. Mas, isso é importante, veja o filme até o fim.

A seguir, abaixo, você estará na segunda parte desse artigo, que discute o filme comentando o final. Se você não viu o filme e pretende fazê-lo, NÃO leia o resto da matéria até ver o filme.

 



Escrito por F. Neves às 18h35
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Continuação da matéria: "Cama de Gato: A laranja mecânica Brasileira"

Trauma - siteAlexandre Stockler durante a filmegem de Cama de GatoEssa página é a continuação da matéria “Cama de Gato: A laranja mecânica Brasileira”, que trata sobre o filme “Cama de Gato”. As informações aqui contidas estragam o efeito do fim do filme. Você foi avisado.

O filme realmente impressiona pela forma como foi construído. Em diversos momentos tive vontade de levantar e ir embora (como os “atores” fizeram). Só pensava que aquilo mostrava uma super violência sem sentido e fictícia.

Mas no fim, as entrevistas de pessoas da classe média, creditam incondicionalmente o filme. Existem pessoas que realmente pensam assim. Claro que algumas ressalvas podem ser feitas, como "falar é uma coisa, fazer, outra", ou que devem ter colhido milhares de entrevistas e só exibiram as que convinham. Mas ainda assim, é estarrecedor saber que pessoas da nossa sociedade pensam isso. “Eu queimava mesmo” ou “Metia uma bala na cabeça”, “Estupra mas não mata”. Todas as ações que os protagonistas tomaram são realmente embasadas nas entrevistas.

No limite, o filme não é uma ficção.

E volto a relacionar com o filme de Kubrick. Os mesmos elementos estão presentes, como o estupro, as drogas, a banalidade, e a violência para com a própria família. A diferença é que Laranja Mecânica colocava tudo isso no futuro, com carros estranhos e roupas de lycra. No filme nacional, é aqui e agora.

Outro retrato interessante é a relação que a juventude da classe média tem com os pais. Tanto no filme como nos depoimentos, existe um medo dos pais, pois eles são os responsáveis pelo julgamento, bem como são eles que os salvarão.

Não é fácil admitir tudo isso, mas agora não temos mais opções. Dessa forma o filme cumpre sua função TRAUMA, de propor um tema urgente, que já foi banalizado, de forma nova e explícita.

Assim, chocante porém real, o filme é uma obra de arte.



Escrito por F. Neves às 18h34
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Entrevista Exclusiva: Alexandre Stockler

Alexandre Stockler nasceu em São Paulo há 31 anos. Formado em teatro pela USP (Universidade de São Paulo), iniciou suas atividades artísticas como ator. Firmou-se como diretor de teatro e, hoje, volta-se ao cinema. Especialmente depois da criação do manifesto Trauma (Tentativa de Realizar Algo de Urgente e Minimamente Audacioso), reunindo amigos que queriam, basicamente, viabilizar produções de baixo orçamento, como Cama de Gato, seu longa de estréia. Com este filme, que mostra a história de três garotos da classe média paulistana embarcando em uma noite bizarra em busca de diversão, Stockler ganhou muitos elogios e, também, críticas ferozes. Afinal, o diretor não poupa a inclusão de cenas chocantes que, no final das contas, têm o objetivo de fazer com que o espectador pense sobre os rumos tomados pelos jovens brasileiros hoje em dia. Mas isso é o próprio diretor que explica melhor nesta entrevista exclusiva concedida ao Cineclick.

Por Angélica Bito


Como surgiu a idéia de fazer Cama de Gato?
Naquela época eu era professor de teatro para jovens. Lá, eu tinha contato com todos esses problemas de transformação da informação que eles recebiam. Eles simplesmente não conseguiam transformar essas informações em conhecimento, elaborar pensamentos. Então, de 95 a 2000, fui simplesmente juntando informações que obtinha diretamente deles, ia colecionando algumas histórias absurdas que ficava sabendo e escrevia o roteiro.

Eram informações que você lia no jornal ou que realmente aconteciam com seus alunos?
Informações que eu lia no jornal e também que aconteciam ao meu redor. Por exemplo, teve uma aluna minha que fora estuprada e falou comigo sobre esse problema. Ela foi estuprada por um amigo, era uma história bem parecida com a do filme. Então, à medida que eu entrava em contato com essas informações, ia escrevendo o roteiro.
Depois que o filme ficou pronto, descobri uma sociedade que reúne mulheres estupradas. Lá, me disseram que 85% delas foram violentadas por parentes muito próximos, como pais. As que foram estupradas por amigos são 12% enquanto que, por estranhos, são somente 3%. Isso é uma informação que não é divulgada, não se discute isso. Hoje, a nossa juventude tem acesso à informação como geração anterior nenhuma teve, só que não sabe como transformar isso em conhecimento.
Tem gente que diz que o filme é amoral. Sim, ele é amoral, pois estou colocando o pensamento dos jovens, e eles são amorais.

Você vê a juventude brasileira como amoral?
Não em seu todo. Na verdade, eu vejo a juventude brasileira querendo se divertir a qualquer custo. Em busca da diversão, passa-se em cima de uma série de questões éticas e morais quando tem formas de se extrapolar pela diversão sem, necessariamente, estragar a vida do outro.

Quanto tempo você levou desde o nascimento da idéia de fazer Cama de Gato até sua estréia nos cinemas?
Escrevi o roteiro em 1998. No ano seguinte, saí em busca de dinheiro para realizá-lo, mas nenhuma empresa queria investir nele, pois questiona uma série de assuntos pesados. Eles até se propuseram a mudar o roteiro para tornar o filme mais leve, mas isso não me interessava. No final, acabei usando um dinheiro que eu tinha guardado. Para rodar, gastamos R$ 13 mil. Isso porque tivemos ajuda de amigos. Agora, para fazer o transfer do filme para 35 mm, gastamos mais de R$ 80 mil.

Você usou os depoimentos reais de Cama de Gato para dar sustentação às situações surreais que vemos no filme?
Na verdade, no roteiro eu já defini que queria usar entrevistas. Questionamos as pessoas com as mesmas situações pelas quais os personagens passam. À medida que fazíamos as perguntas, os entrevistados foram elaborando respostas muito piores do que as que aconteciam no roteiro. A idéia era brincar, exagerar, e eles foram respondendo a partir do ponto de vista deles, pois ninguém sabia da história de Cama de Gato.
O filme foi rodado para mostrar o ponto de vista dos jovens, por isso os jogos de câmera. Essas variações na forma que cada personagem enxerga a realidade estão sugeridas no filme, mas não mastigadas como seria em uma produção americana, por exemplo.

O filme é repleto de cenas que incômodas, fortes. Qual foi a mais difícil de rodar?
Tivemos cenas com dificuldades diferentes. A do lixão foi a mais difícil. Ficamos muito tempo naquele ambiente inóspito, foi uma coisa horrorosa. Por isso, foi o pior lugar. A cena do estupro é muito delicada. Primeiro por que tinha de ter muito realismo, uma coisa posada ficaria falsa demais. Ao mesmo tempo em que tinha um peso, eu queria colocar uma leveza no jeito de eles fazerem. Então, foi muito difícil encontrar esse tom, mas acho que eles fazem brilhantemente.

Como você achou esses atores?

Por meio de uma campanha feita pela internet, os atores vieram até a gente e fizeram testes.



Escrito por F. Neves às 18h31
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Continuação Entrevista Exclusiva: Alexandre Stockler

Por meio de uma campanha feita pela internet, os atores vieram até a gente e fizeram testes.

Isso também aconteceu com o Caio Blat?
Não, o Caio foi o seguinte: tinham algumas pessoas da Rede Globo interessadas em fazer. Então, uma pessoa que ajudou a fazer o casting perguntou se tinha alguém da Globo que me interessava. Falei do Caio Blat, que viu o projeto na internet e, pouco tempo depois, me procurou dizendo que estava muito a fim de fazer. Eu já estava com o elenco fechado, mas ele insistiu para fazer o teste. O Caio fez uma leitura do roteiro muito boa, mas o primeiro teste não ficou legal, mas, aos poucos, foi se entrosando com os outros atores, no segundo teste ele foi bem e acabou ficando, ajudando bastante na produção.

A produção de Cama de Gato funcionou, então, como uma espécie de cooperativa com o agrupamento de amigos interessados em fazer cinema. Você acha que esse é um caminho para se produzir cinema barato no País?
Com certeza. Os custos de se fazer filmes são altos, mas aqui no Brasil acontece uma inflação desses valores. Na Argentina é mais barato fazer cinema do que aqui e eles têm o mesmo custo que a gente. Por que, então, é mais barato? Eles aproveitam os valores de outra maneira. A gente gasta muito dinheiro em grandes produções e não deveria ser assim. Esses valores deveriam ser distribuídos entre mais projetos de cinema. Se o dinheiro for bem aproveitado, o retorno vem através da bilheteria.

Quando Cama de Gato ficou pronto, afinal? Pois ele já foi exibido em diversos festivais antes de estrear nos cinemas.
O filme ficou pronto em 2002. Já havíamos sido convidados para alguns festivais anteriormente, mas o transfer não tinha ficado pronto. Quando levamos para o Festival de Montreal, já ganhamos um prêmio. Foi muito importante para a carreira do filme porque ele foi visto por muita gente nesse festival, como o Gérard Depardieu, Brian De Palma, grandes estrelas do cinema viram e adoraram. Lá no Festival o filme foi bastante elogiado, o que fez com que as pessoas começassem a se interessar, especialmente o júri, que nos premiou.

Em Festivais, Cama de Gato tem tido uma boa recepção. Como você acha que o grande público vai recebê-lo?
Adoraria que as pessoas refletissem sobre o filme e, a partir daí, pensassem no Brasil. Cama de Gato foi feito para que repensássemos a estrutura do País, no que a gente ta aceitando. Está todo mundo se acomodando demais e é preciso um pouco mais de verdade às coisas.

É isso que sugere o manifesto Trauma?
Isso mesmo.

Como as coisas estão acontecendo no Trauma?
Estamos com um filme para ser rodado em Barcelona (Espanha). É uma produção espanhola e a gente foi convidado para fazer esse projeto depois que Cama de Gato foi exibido em Miami (EUA). O bom é que lá na Espanha tem mais estrutura do que aqui, o filme não vai demorar tanto para ser lançado.
Tem também um outro roteiro meu de um filme que se chama Alfavela. É uma continuação de Cama de Gato, mostrando as famílias dos garotos e famílias de classe baixa.

Em que contexto surgiu o Trauma?
Foi uma resposta irônica ao Dogma 95. Eu pensava em fazer filme digital no Brasil há muito tempo. Uma parte de uma peça minha era gravada e foi feita em digital, em 1996. Em 1998 fiz isso de novo. Nessa época eu brigava com o Ministério da Cultura para fazer filme digital, mas eles diziam que esse formato não é cinema. Quando apareceram os filmes do Dogma, mostrou-se que isso é realmente possível. A gente tem uma mentalidade colonizada, tem de sempre ir atrás dos caras. No Brasil ainda demorou dois anos pra sair algum filme digital. Quando fiz meu filme, nem podia fazer em digital para poder captar verba do governo. Falei “foda-se, vou fazer cinema” e é mais ou menos essa a idéia.

Você acha que há espaço para o cinema independente no Brasil?
É isso que o Trauma quer fazer, abrir espaço para as pessoas que têm vontade de fazer e, também, qualidade no trabalho. A gente enfrentou muitos problemas com distribuidoras e exibidores, eles não queriam porque o filme é muito pesado. Vários exibidores proibiram Cama de Gato.

O engraçado é que esses mesmos cinemas exibem filmes como de Larry Clark (Ken Park), que são parecidos com o seu, não?
Pois é. Porque ele é americano e vem com a força dos exibidores, aí os caras exibem. Filmes como Cama de Gato, feito na raça, são rejeitados. E olha que eu acho tolos os filmes do Larry Clark. Este filme tem muito conteúdo, ele questiona a nossa sociedade. A nossa violência é completamente diferente da dos americanos e dos europeus, é outra coisa. Como se estabelece as relações, aqui, é doentio. Aqui, quem tem dinheiro acha que pode passar por cima de qualquer coisa.

entrevista retirada de: http://cineclick.virgula.terra.com.br/entrevistas/



Escrito por F. Neves às 18h31
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Saiba mais sobre em:

http://www.camadegato.com.br/

http://www.trauma.art.br/

http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT808406-1655,00.html



Escrito por F. Neves às 18h29
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Filipe Furtado comenta Cama de Gato

Temos que admitir: o que Alexandre Stockler conseguiu com este Cama de Gato é uma proeza. È preciso estar muito atento a produção contemporânea para conseguir fazer um filme que consiga em pouco mais de noventa minutos juntar com tamanha precisão todas as piores tendências da mesma.

As duas seqüenciais de abertura dão a deixa: na primeira uma série de jovens dão depoimentos sobre assuntos do momento como a indicar a "atualidade," a "relevância" do que está por vir (e como não podia deixar de ser num projeto como este as respostas variam das inarticuladas as que são ridicularizadas). A segunda seqüência com seus planos de câmera na mão tremida e colada ao rosto dos protagonistas enquanto estes proclamam o seus "discursos" (devidamente ridicularizados pelo diretor) é ainda mais direto: não haverá em Cama de Gato qualquer possibilidade de diálogo entre espectador e filme, não haverá espaço para dúvida, para qualquer afeição para com os personagens e seu universo.

Daí em diante se sucedem uma série de equívocos cada vez maiores enquanto acompanhamos a jornada de seus protagonistas, três jovens debilóides (o filme não nos permite outro visão deles), enquanto eles se revelam progressivamente mais monstruosos e burros. O que chega a seu primeiro clímax numa suruba transformada em estupro (transmitida via internet, é claro) que é seríssima candidata ao pior momento da Mostra. Como sempre neste cineminha que se crê "moderno", "esperto", etc, mas no fundo é bastante conservador, sexo só pode ser algo sujo que traz a queda dos protagonistas.

Mesmo que o objetivo do filme fosse o já discutível de ridicularizar os protagonistas, teria errado completamente o alvo já que Stockler sequer tem a sensibilidade de se tocar de que as personagens humilhadas por eles (o porteiro, os travestis, os pedintes, a mãe, a garota estuprada) são retratadas de forma patética. Não há qualquer desculpa do tipo "o filme é contado de forma subjetiva" já que a câmera permanece sempre onisciente vendo tudo de cima. O que só se confirma na cena final em que Deus (ou melhor, o diretor) os absolve, afinal já que o mundo é uma merda o que são três delinqüentes assassinos incompetentes a mais?

Nada, em suma, do precário uso da DV até as cenas de metalinguagem "espertas" onde os personagens de dentro de um cinema ridicularizam os clichês do filme, funciona. O que resta é justamente um nada e consolo para o espectador de que ele e o diretor são os únicos escolhidos para se elevarem acima da mediocridade, como se vê discurso mais "crítico" impossível.

artigo retirado de: http://www.contracampo.com.br/43/camadegato.htm



Escrito por F. Neves às 18h27
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Cama de Gato e o "Movimento TRAUMA99"

Eu pessoalmente, gostei do titulo da crítica que saiu no caderno “Ilustrada” da Folha de São Paulo, sobre o filme dizendo: “Assista mesmo que for para ficar com raiva”.

Aqui estão 2 artigos e uma entrevista com o diretor, que acredito expor divergentes opiniões sobre o filme Cama de Gato e o “Movimento TRAUMA99”



Escrito por F. Neves às 18h18
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Justificativa

Por uma necessidade de discutir cinema, venho tentando construir (e reviver uma época da história do Brasil) um cineclube, que já tem até o local da sede definido, mas a demora vem me trazendo uma grande angustia.

Já me ocorreram diversas idéias para a solução deste problema como escrever um zine, um fanzine ou montar um site com notícia, lista de discussão etc...

Acho que encontrei a solução aqui, montando esta blog.

O objetivo é expor idéia sobre cinema para serem discutidas.

Disponibilizarei diversas matérias e artigos (sempre citando a fonte), para fomentar discussões e reflexões.

Sem mais espero estar sendo ético ao divulgar este material de diversos autores, apenas com a intenção de difundir conhecimento, agradeço a todos que venham somar com seus comentários.

 

Atenciosamente

Felipe F. Neves

Escrito por F. Neves às 17h54
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